quinta-feira, 3 de março de 2011


Poluição nas águas ameaça meio ambiente de Curitiba

Ano novo também é época de pensar no meio ambiente. O Brasil tem bons exemplos, mas o desafio é mantê-los. Veja como Curitiba tenta firmar as conquistas de décadas passadas.
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O uso racional do espaço urbano. Nos anos 1990, Curitiba ficou conhecida pela organização do transporte coletivo. Pistas exclusivas para ônibus e um sistema planejado deram, aos passageiros, mais rapidez e segurança para chegar ao trabalho ou voltar para casa.

“Curitiba está ranqueada entre as 100 cidades verdes do mundo. É a única cidade brasileira”, explica o coordenador de clima do Greenpeace, Guarany Osório.

Na coleta e destinação do lixo, o futuro chegou mais cedo. Há mais de 20 anos, os resíduos são separados pelos moradores, ainda dentro de casa. Os catadores, organizados em associações, se transformaram em agentes ambientais. A população foi educada para isso.

“Um aspecto tão importante quanto esse programa é onde ele foi implantado: na educação infantil. Há 20 anos, Curitiba gostaria que as pessoas que tinham 40 anos começassem a reciclar. Mas era mais importante que as pessoas que tinham quatro e sete anos, na época, começassem a tomar consciência disso, para, quando elas tivessem 25 ou 28 anos, fossem jovens conscientes do problema ambiental”, ressalta o professor de Gestão Urbana Fabio Duarte.

Os parques também ajudaram a dar a Curitiba o título de cidade ecológica. Não apenas pelo tamanho ou pela quantidade de árvores em relação ao número de habitantes, mas, principalmente, porque essas áreas eram, na maioria, degradadas. Com o tempo, foram recuperadas para o lazer e para o turismo.

O parque Tanguá já foi uma pedreira. Depois de desativada, ganhou nova vegetação e estrutura para receber os visitantes. O maior símbolo da preocupação com o verde é o Jardim Botânico. Um espaço antes abandonado, agora guarda uma imensa coleção de plantas com cara de cartão-postal. Os parques são interligados por uma rede de ciclovias.

“Eu acho muito bom. Nós viemos de uma outra cidade e lá não tinha tantos parques como aqui. Ficamos até surpresos com a quantidade e a qualidade dos parques”, afirma uma senhora.

Mas os avanços das últimas duas décadas esbarram no dilema do crescimento. A cidade não soube cuidar com a mesma eficiência da água.

Segundo o IBGE, o Rio Iguaçu, que nasce na região de Curitiba e atravessa o estado até formar as cataratas, na fronteira com a Argentina, é o segundo rio mais poluído do Brasil, perdendo apenas para o Tietê, em São Paulo. Faltam iniciativas e sobra burocracia.

“Nós temos uma legislação federal e estadual, específica para isso. Temos um conselho estadual de recursos hídricos, temos um comitê de bacias, o que falta é implementar essa política, para que de fato essas ações sejam revertidas”, declara o secretário de Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto.

As soluções ficaram no passado. A população aumentou e o transporte público não se adaptou na mesma velocidade.

“O balanço das emissões é um dos principais indicadores da qualidade de vida em uma cidade e também como indicador de desenvolvimento sustentável. No tocante a esse balanço, Curitiba vem se tornando cada vez mais negativa”, afirma o coordenador da Rede Nacional de Mudanças Climáticas, Carlos Roberto Sanchetta.

Agora, é saber o que a cidade vai oferecer para os novos moradores, que estão chegando e o que eles vão fazer pela cidade.

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